Vivemos uma cultura de miscigenação e é do povo indígena que herdamos muitas palavras, hábitos e conhecimentos. Poderíamos ter aprendido mais com eles, mas preferimos tentar mudá-los, obrigá-los a seguir outros costumes, cultuar outros deuses e usar outras vestes. Continuamos fazendo isso em nosso dia a dia, brigando para reverter tudo que nos parece “diferente”. Desta maneira, perdemos muito: perdemos conhecimento, momentos, amigos e nossa própria história.
Por..:: Renato Marchesini
O indígena brasileiro sofre massacrado pelos interesses econômicos desde o “descobrimento”. Hoje, em situação de pobreza, fome e sem terra, mantém sua esperança em alguns poucos (abaetês) que buscam auxiliá-los na recuperação de sua dignidade. Uma situação que não é exclusividade do povo indígena em nosso país, muitas vezes maquiado por comerciais institucionais.
Suas terras, tão importantes por conterem os resquícios de seus antepassados e possuírem um valor que transcende o financeiro, estão diminuindo para dar lugar a usinas questionadas, plantações e criação de gado. Tudo isso sob o argumento de acabar com a miséria, enquanto o alimento sai cada vez mais para o exterior pelos nossos portos. Quem não entende da cultura indígena quer legislar sobre como devem viver — uma verdadeira bobagem!
Mas o indígena também se reinventou: buscou entender o mundo fora de suas comunidades e se adaptar, sem perder sua essência. Buscou estudar, participar da democracia e dar voz à sua comunidade. Povo de força, neste dia e em todos os outros, eu tenho orgulho de ser descendente de Guarani.
E peço a todos que nunca se esqueçam que essa cultura faz parte da sua vida. Posicione-se a favor da cultura indígena, mesmo que ela esteja longe de seus olhos.
Foto de..:: Renato Marchesini



