O Pescador Artesanal – O Caiçara

É um homem paciente, envolto na solidão do trabalho. No mar, espera em silêncio; não canta nem conversa ou o peixe foge. Depois o silêncio no mar se compensa na vivacidade da terra. Na sua história, durante a escravatura, o pescador foi tido como um simpatizante do abolicionismo. Muitos escravos fugidos eram transportados nas embarcações e, mesmo que o governo oferecesse recompensa a quem os entregasse, o pescador guardava o segredo como se fosse ouro. Ainda hoje ele mantém o espírito de solidariedade. Já foi bem mais ligado aos aspectos míticos e supersticiosos do que o é agora. Talvez a secura do dia-a-dia e a poluição tenham afastado Iemanjá e as sereias, talvez a modernidade tenha sido racional em demasia.
Final de tarde. Os pescadores empurram suas canoas coloridas para o alto mar. É hora de preparar a rede do dia seguinte- “rede de pesca de espera”- entrar no mar, deixá-la armada durante a madrugada e só então voltar a terra. Quando raia um novo dia, já nas primeiras nuances da aurora, o homem volta para buscar sua rede, na esperança de um bom pescado. Muitas vezes, o barco volta só com a esperança… Outras tantas, traz peixes que são expostos nas próprias embarcações e vendidos diretamente aos moradores, restaurantes ou peixarias.
Além da rede de espera, os pescadores se utilizam também da pesca de arrastão, feita com o auxílio de toda a comunidade. A olho nu, os pescadores localizam o cardume de peixes, cercam-no com as embarcações e jogam a rede fazendo a recolha.
A história do Brasil começa nas rotas oceânicas. O pescador é seu personagem nato. Sobrevivendo às incertezas do tempo, vai amargando sua poesia poluída pela falta de escrúpulos da sociedade que agride o ambiente no qual ele vive.Foto Créditos..:: Renato Marchesini

O pescador é sempre assim: simples, solitário e vivendo do mar.

Fonte..:: Tese Pós-graduação em Ecoturismo – Tema : ECOTURISMO EM ESTUÁRIO E MANGUEZAL: UMA ALTERNATIVA PARA O PESCADOR ARTESANAL By Renato Marchesini, 2005.

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