Você já sentiu que uma viagem mudou quem você é? Por muito tempo, estudiosos descreveram o turista como alguém que apenas “consome imagens” e tira fotos de clichês. Mas, desde a virada do século, o Turismo de Experiência propõe algo mais profundo: a viagem como um ritual de passagem e uma forma de construção do “eu” (self making).
Por..:: Renato Marchesini – Historiador, Turismólogo e Guia de Turismo

..:: O Turista como Protagonista
Diferente do modelo antigo, focado apenas no olhar, o turismo contemporâneo é corporificado. Isso significa que usamos todos os sentidos:
- Tátil e Háptico: O toque e a presença física.
- Sinestésico: O movimento e a ação (como o bungee jump ou trilhas).
- Ativo: O turista deixa de ser espectador para ser um ator da sua própria jornada.
Dois Lados da Mesma Moeda: Tragédia e Realidade Social
Para entender essa mudança, o pesquisador Alan Faber do Nascimento analisa dois fenômenos curiosos:
1. Dark Tourism (Turismo Sombrio)
Visitar locais de tragédias históricas, como campos de concentração ou locais de guerras, pode parecer mórbido. No entanto, para muitos viajantes, essa é uma forma de:
- Confirmar a realidade de fatos históricos (“ver para crer”).
- Sentir empatia e um senso de dever com as vítimas.
- Lidar com seus próprios medos e traumas.
2. Slum Tourism (Turismo em Favelas)
No Rio de Janeiro, o turismo em favelas gera polêmica. Existe uma linha tênue entre a exploração do exotismo (tours que parecem safáris urbanos) e a experiência real.
- O risco: A “disneyficação” da pobreza para entretenimento.
- A oportunidade: Projetos geridos pelos próprios moradores que promovem trocas culturais autênticas e roteiros afro-centrados.
Conclusão: O Desafio da Autenticidade
O Turismo de Experiência reflete nossa sociedade atual, onde o que vale é a dimensão afetiva e participativa do que consumimos. Mas fica o alerta: até que ponto estamos realmente vivendo uma experiência de alteridade ou apenas “sequestrando” a realidade alheia para postar em redes sociais?.
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