Colonização Brasileira – Expedição Marítima – Grandes Navegações

Expedição passou quase um ano no mar antes de chegar a São Vicente
Depois das expedições exploradoras de 1502 e 1503, o Brasil passou quase 20 anos esquecido por Portugal. A Corte mandava para cá apenas alguns capitães que, a pretexto de guardar a terra, só se preocupavam em recolher o que podiam para si próprios, deixando livre o tráfico em todo o litoral, especialmente pelos estrangeiros.
Houve apenas duas tentativas de se realizar o reconhecimento formal da terra: em 1516 e 1528, com a nomeação, respectivamente, de Pero Capico e Antonio Ribeiro, como Capitães da Capitania de São Vicente.
Em 1521 morre o rei D. Manuel e assume D. João III, que volta sua atenção para o Brasil, na esperança de que a nova terra pudesse gerar riquezas que diminuíssem as dívidas da Coroa. Em 1526, D. João manda reforçar a vigilância da Costa brasileira por uma esquadrilha de seis navios, sob o comando de Cristóvão Jaques, que já conhecia estas terras desde 1516. O navegador chega à Bahia no final desse ano e, a partir daí, percorre toda a costa, até o Rio da Prata. Na volta, afunda três navios franceses perto da Bahia.

Esse fato alarmou a Corte portuguesa, que decidiu iniciar a colonização oficial das novas terras.
D. João III mandou com urgência preparar uma expedição e chamou para comandá-la seu amigo de infância, Martim Afonso de Sousa. Foram preparados cinco embarcações e 400 homens, tendo, como piloto principal e imediato do comandante, Pero Lopes de Sousa, irmão de Martim Afonso e navegador afamado.
Segundo documentos consultados pelo historiador Rocha Pombo, Martim Afonso de Sousa recebeu o título de capitão-mor, “com jurisdição e alçada, tanto no crime como no cível”, o que lhe dava a autoridade de um verdadeiro representante do rei.

A flotilha partiu de Lisboa no dia 3 de dezembro de 1530.
Martim Afonso de Sousa não veio diretamente para São Vicente. Em janeiro de 1531, ele chegou a Pernambuco. Dali mandou de volta João de Sousa com informações para o rei e seguiu para o sul, aportando na Bahia, onde se encontrou com Caramuru.

No dia 30 de abril de 1531, ao meio-dia, ele entrou na baía da Guanabara, onde mandou construir uma casa forte e instalar uma ferraria para reparo das naus. A 1º de agosto a expedição continuou seu caminho, chegando, no dia 12, a baía de Cananéia, onde encontrou portugueses e castelhanos.

Nessa viagem pelas costas brasileiras, durante quase um ano, enfrentaram tempestades, o naufrágio da nau capitânea e um combate com navios franceses que faziam contrabando de pau-brasil. No dia 20 de janeiro de 1532, o comandante vê surgir a ilha de São Vicente.

O mau tempo, porém, impediu a entrada dos navios na barra, o que só ocorreu no dia 22. Coincidentemente, no mesmo dia em que, 30 anos antes, a expedição de Gaspar de Lemos havia dado nome à terra.
(fatos_históricos)

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