Durante anos São Vicente foi o “Celeiro de todo o Brasil”.

Martim Afonso de Sousa foi o primeiro a implantar a reforma agrária no Brasil, quatro séculos antes desse tema movimentar a classe política e a sociedade. Ao mesmo tempo, plantou a semente da industrialização e do desenvolvimento agrícola que, nas palavras do padre Simão de Vasconcelos, fez de São Vicente, por volta de 1600, “o celeiro de todo o Brasil”.

Logo depois de chegar a São Vicente e instalar a organização administrativa que transformava o povoado em vila, Martim Afonso mandou demarcar as terras e distribuiu lotes aos colonos. Fora da vila, o capitão-mor concedia posse provisória da terra, ou seja, o colono poderia utilizá-la apenas enquanto a lavrasse. O uso correto e constante resultaria, mais tarde, no título definitivo.

Começou-se, então, o cultivo organizado de vários produtos, entre eles, a cana-de-açúcar, que alguns pesquisadores consideram que já era conhecida em São Vicente antes da chegada de Martim Afonso. Para ajudar os colonos, o capitão-mor mandou construir no centro da ilha um pequeno engenho, movido a água .

Com o sucesso da lavoura de cana, foram sendo construídos outros engenhos em toda a região e, em poucos anos, eram exportados açúcar e aguardente para outras Capitanias e até para o reino. Duas outras culturas assumiram posição de destaque, ao lado da cana-de-açúcar: o trigo e a vinha.

TEMPOS DE GLORIA – O passo seguinte foi a organização de uma empresa mercantil para exportação do excedente, já que a produção era bem superior ao consumo. Aqui, igualmente, pode-se sentir a visão de Martim Afonso: foi dele a iniciativa de se organizar urna empresa mercantil, com a participação dos senhores de engenho, para representar diretamente os colonos, exportando-lhe os produtos e vendendo os artigos europeus de que necessitavam.

De acordo com pesquisadores, o progresso da vila de São Vicente era tal, que muitos colonos pensaram logo em mandar vir às famílias que haviam deixado em Portugal.

Foram tempos de glória para São Vicente: na vila se concentrou “todo o movimento econômico da ilha e redondeza, assim como o comércio com os índios de Itanhaém, Cananéia e Piratininga.

Armazenava-se ali os gêneros do país destinados a exportação e recebia-se em grandes depósitos a mercadoria da Europa mais usual na colônia e entre os índios”.

A cultura da cana-de-açúcar entrou em declínio em São Vicente, com o abandono dos engenhos, no início do século 17, quando fatores climáticos e a menor distância com Portugal fizeram da região nordeste o novo pólo produtor de açúcar.

COLONOS – De acordo com os registros, entre os colonos que receberam terras nessa primeira fase, e posteriormente, pode-se citar: João Ramalho, Antonio Rodrigues, Pero de Góes, Ruy Pinto, Francisco Pinto, Lopo Dias, Domingos Luís Grou, Pedro Afonso, Braz Gonçalves, Pedro Dias, Salvador Pires, Pero Leme, Afonso Sardinha, Braz Cubas, Buenos, João do Prado, Diogo Braga, família Fernandes e Pedro Álvares.

(fatos_históricos)

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