Descoberta histórica na Primeira Cidade do Brasil

Um sítio arqueológico foi descoberto no subsolo da Casa Martim Afonso de Souza, no bairro do Gonzaguinha. Em meio a uma área totalmente urbanizada, uma parede erguida no século XVI e quase 900 objetos que datam de até 3 mil anos atrás foram encontrados, criando um rico acervo histórico que mostra a história dos povos que habitaram a Região, antes mesmo da fundação da cidade, em 1532.

A pesquisa foi iniciada em janeiro deste ano, quando a Casa foi tombada como Patrimônio Histórico. Na ocasião, a Prefeitura, por meio do historiador Marcos Braga, contatou o arqueólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Manoel Gonzalez, para realizar os estudos.

A principal evidência encontrada foi a parede de pedra construída entre 1516 e 1520. Segundo Braga, pode tratar-se de uma parte da edificação chamada de Fortaleza do Barão da Cananéia. “O muro pode chegar à extensão de 25 metros. Os estudos seguirão e as escavações devem comprovar o tamanho da edificação, que acreditamos ter 400 metros quadrados”.

Durante o trabalho arqueológico iniciado em setembro, mais de 800 peças foram encontradas no local. Desde ossos humanos, de animais e conchas talhadas há três milênios, creditadas aos povos dos sambaquis, passando por cerâmicas utilizadas pelos povos indígenas, há 800 anos, material mostrando evidências do inicío do contato entre negros e indígenas, até colheres de bronze, louça inglesa, facão, fabricados entre os séculos 16 e 19.

“Pela importância de São Vicente ser a primeira vila do Brasil trata-se de uma descoberta histórica. Ainda mais por estar em uma área totalmente urbanizada. Tudo que encontramos está do lado de fora, queremos iniciar as conversas com o dono do terreno, pois trata-se de um sítio de importância nacional”, diz Braga. “Ali nos reserva coisas muito mais interessantes e importantes”.

O arqueólogo Manoel Gonzalez se surpreendeu com o sítio arqueológico encontrado em São Vicente. “Sempre encontramos sítios fragmentos e desconexos. Aqui podemos ver em camadas toda evolução do processo de cultura material. Desde os sambaquis, povos indígenas, negros, até a ocupação colonial. Tudo em um mesmo local”, diz.

Ele explica que a exploração deve continuar nos próximos meses e mais de 3 mil peças podem ser encontradas no local. As escavações devem seguir até o jardim da Casa Martim Afonso. O arqueólogo também ressalta a importância das escavações na área do outro lado da parede (onde funciona um estacionamento). “Teremos surpresas ainda maiores”

O trabalho arqueológico está registrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Casa Martim Afonso fica na Praça 22 de Janeiro, 469 – Gonzaguinha).

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