Em dois anos, São Paulo perde 743 hectares de Mata Atlântica

Minas Gerais lidera a lista da pesquisa, seguido por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgaram nesta quarta-feira os dados do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, com informações de 2008 a 2010.
Segundo o estudo, o desmatamento continua a ameaçar a diversidade desse bioma.
No período, foram desmatados ao menos 20.867 hectares de cobertura florestal nativa, ou a metade do município de Curitiba (PR). “Os dados avaliados no período de 2008-2010 mostram que o desmatamento na floresta nativa continua, e é preciso que as políticas públicas que incentivam a conservação e a fiscalização atuem de maneira mais efetiva para garantir a manutenção da floresta e, por consequência, dos serviços ambientais para milhões de pessoas que dependem de seus recursos naturais”, alerta Marcia Hirota, coordenadora do “Atlas”, que defende ainda a participação da população na defesa da Mata Atlântica.
“Esta é uma questão de sobrevivência dos 112 milhões de habitantes do bioma. A relação da floresta com a nossa vida nas cidades é direta, precisamos saber de onde vem e a qualidade da água que consumimos, o tamanho do lixo que produzimos e do nosso consumo de energia, pois toda nossa atividade causa impacto direto sobre o ambiente”.
Campeões do desmatamento
De acordo com a pesquisa, dos nove Estados analisados – os Estados do Nordeste ainda não puderam ser incluídos no estudo devido aos elevados índices de cobertura de nuvens – Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina tiveram os resultados mais críticos, tendo perdido, juntos, 17.372 hectares.
Em seguida vêm o Rio Grande do Sul, que desmatou 1.897 hectares, São Paulo, que perdeu 743 hectares, Rio de Janeio, com menos 315 hectares, Goiás, que perdeu 161 hectares, Espírito Santo, com menos 160, e Mato Grosso do Sul, que desmatou 154 hectares.
No que se refere ao desmatamento dos ecossistemas costeiros, dos nove Estados avaliados, São Paulo foi o único a perder 65 hectares de vegetação de restinga. Altos e baixos Minas Gerais, que possuía originalmente 46% de seu território coberto pela Mata Atlântica, hoje se destaca por seu desmatamento, cuja taxa anual cresceu 15% no período analisado.
“Minas Gerais teve 80% de sua área avaliada, o que pode levar o número de desmatamento a ser ainda maior”, diz Flávio Ponzoni, coordenador do estudo pelo Inpe. Outro Estado que se destacou pelo desmatamento foi o Rio Grande do Sul: desflorestou 83% a mais.
Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo são áreas críticas para a Mata Atlântica, pois são os Estados que mais possuem remanescentes florestais em seus territórios.
“No caso de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, é preciso que os governos federal e estaduais atuem firmemente, acompanhados sempre de perto pela sociedade, para diminuir e até zerar estes números pensando em políticas públicas para valorizar a floresta e que promovam o desenvolvimento de negócios que sejam aliados à conservação, como o turismo sustentável, assim como invistam em educação ambiental”, reforça Marcia.
Notícia enviada por..:: Marcus Vinicius Arantes Scucel
(papo de biologia)

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